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Em meio às celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, neste sábado (12), o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, fez um apelo emocionado em defesa da vida dos romeiros que percorrem a Rodovia Presidente Dutra (BR-116) rumo ao Santuário Nacional, o maior templo católico do Brasil.
Durante entrevista coletiva, Dom Orlando afirmou que é urgente a criação de uma solução segura para os peregrinos, destacando a importância do projeto de construção de uma passarela e um caminho exclusivo de peregrinação ao longo da Dutra. O arcebispo ressaltou que o Santuário Nacional tem participado ativamente das discussões técnicas conduzidas pela concessionária RioSP e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
“A Dutra se transformou num santuário de um povo caminhante, e é muito perigosa. Louvo as iniciativas e já estamos dialogando com o Santuário e com as instituições para que haja uma solução que resguarde a vida do povo. São 40 mil pessoas vindo a pé — merecem todo o cuidado e o zelo dos poderes constituídos”, afirmou Dom Orlando.
Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), cerca de 40 mil devotos caminharam pela Dutra neste ano com destino a Aparecida, enquanto quase 500 mil fiéis participaram das celebrações da Festa da Padroeira, entre os dias 3 e 12 de outubro.
A proposta apresentada pela concessionária RioSP à ANTT prevê a criação de um “caminho seguro” com 134 quilômetros de extensão, ligando Arujá, na Grande São Paulo, a Aparecida, no Vale do Paraíba. O projeto ainda está em fase inicial de análise, e a ANTT confirmou que o tema é tratado como prioridade, com previsão de início das obras em 2026, juntamente com a ampliação da capacidade da rodovia.
A fala de Dom Orlando ganha ainda mais força diante das tragédias recentes registradas durante as peregrinações.
Na noite de sábado (11), um ciclista de 65 anos, identificado como José Antonio dos Santos, morreu atropelado por uma carreta no km 100 da Dutra, em Pindamonhangaba, enquanto seguia de bicicleta de Mairiporã até Aparecida. O motorista fugiu sem prestar socorro.
No mesmo dia, um policial militar de 30 anos, Luiz Guilherme Crispim de Oliveira, foi baleado e morto durante um assalto na altura de Lorena, também enquanto caminhava em direção ao Santuário.
Com esses casos, pelo menos quatro peregrinos perderam a vida em 2024 na rodovia, entre acidentes e episódios de violência.
Diante desse cenário, o apelo do arcebispo ecoa como um chamado urgente à responsabilidade pública e à preservação da fé e da vida.
“O povo caminha com fé, mas precisa caminhar com segurança. É dever de todos proteger quem segue em devoção à Mãe Aparecida”, concluiu Dom Orlando.