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O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), criticou nesta segunda-feira (27) a atuação da Sabesp durante o grave desabastecimento de água que atingiu cerca de 450 mil pessoas, o equivalente a aproximadamente 70% da população do município, na última semana.
Durante o pronunciamento, o prefeito classificou como “um grande equívoco” a decisão da concessionária de antecipar a interrupção do abastecimento sem aviso adequado à população. Segundo ele, a Prefeitura irá acionar o Procon para buscar o ressarcimento dos prejuízos financeiros sofridos por moradores, comerciantes e prestadores de serviços.
Anderson Farias afirmou que a administração municipal pretende cobrar da Sabesp explicações e medidas compensatórias pelos transtornos causados. Para o prefeito, a principal falha da empresa foi a falta de comunicação com os consumidores.
“O maior erro foi ter comunicado que faria o serviço na terça-feira e antecipado a paralisação para a segunda-feira. Obras são necessárias, mas a população precisa ser informada corretamente para poder se preparar”, declarou.
O prefeito ressaltou que a mudança inesperada no cronograma comprometeu não apenas os moradores, mas também o funcionamento dos serviços públicos municipais, que dependem do abastecimento regular de água.
Críticas ao contrato de concessão
Durante a entrevista, Anderson Farias voltou a manifestar preocupação com o modelo de fiscalização previsto no contrato da Sabesp. Segundo ele, desde a assinatura do acordo, já alertava que o município perdeu parte do poder de acompanhar e fiscalizar diretamente os serviços prestados pela concessionária.
Apesar das críticas, o prefeito afirmou que não é contrário aos investimentos realizados pela empresa nem ao processo de privatização, mas defendeu que o consumidor merece mais respeito.
“A água não é gratuita. O cidadão paga pela prestação do serviço e precisa ser tratado com respeito, principalmente em situações como essa.”
Prefeitura busca ressarcimento dos prejuízos
Com a falta de água, diversos condomínios, restaurantes, comércios e empresas precisaram recorrer à contratação emergencial de caminhões-pipa para manter suas atividades.
Diante desse cenário, a Prefeitura informou que está levantando os prejuízos registrados para ingressar, por meio do Procon, com medidas que busquem o ressarcimento financeiro aos consumidores afetados.
Segundo Anderson Farias, qualquer eventual multa aplicada à Sabesp deverá beneficiar diretamente os usuários prejudicados.
Entenda o caso
A crise no abastecimento ocorreu durante a substituição emergencial de três válvulas de grande porte na Estação Elevatória de Água Bruta, responsável pela captação de água do Rio Paraíba do Sul.
A manutenção estava prevista para começar na noite de terça-feira (21). No entanto, após a identificação de uma falha em um equipamento durante os testes preparatórios, a Sabesp antecipou a paralisação para a segunda-feira (20), sem tempo suficiente para informar adequadamente a população.
O episódio provocou desabastecimento em grande parte da cidade e gerou transtornos para milhares de moradores e estabelecimentos comerciais.
A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) instaurou um procedimento de fiscalização para apurar as circunstâncias da antecipação da manutenção, avaliar se a comunicação aos consumidores foi adequada e verificar se houve falhas na condução da operação pela concessionária.