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O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram a suspensão temporária e preventiva da aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida tem como objetivo permitir uma reavaliação técnica da estratégia de imunização adotada no país.
A decisão foi tomada após o registro de reações adversas em um universo de quase 500 mil pessoas vacinadas. Entre as notificações analisadas pelos órgãos de saúde, foram identificados três casos considerados graves, incluindo dois óbitos que permanecem sob investigação.
As autoridades sanitárias destacam que, até o momento, não existe comprovação de que os eventos graves tenham sido causados pela vacina. Os casos seguem sendo avaliados por equipes especializadas e pelos sistemas de farmacovigilância responsáveis pelo acompanhamento da segurança dos imunizantes.
Segundo o Governo de São Paulo, a interrupção faz parte dos protocolos de monitoramento adotados em campanhas de vacinação e representa uma medida preventiva voltada à proteção da população enquanto as análises são concluídas.
Apesar da suspensão, a vacina mantém seu registro válido junto à Anvisa. O Instituto Butantan informou que continuará colaborando com os órgãos reguladores, fornecendo informações técnicas e participando dos estudos necessários para esclarecer os casos investigados.
Os dados obtidos durante os estudos clínicos apontam que a Butantan-DV apresentou eficácia global de 79,6% na prevenção da dengue e de 89% contra formas graves da doença. Além disso, campanhas de vacinação em larga escala realizadas em cidades como Botucatu, no interior de São Paulo, além de municípios do Ceará e de Minas Gerais, não registraram ocorrências relevantes relacionadas ao imunizante.
Com a decisão, a aplicação da vacina fica temporariamente interrompida para todos os públicos que estavam aptos a receber a dose pelo SUS. As pessoas já imunizadas continuam contando com a proteção oferecida pela vacina, mas especialistas recomendam atenção a sintomas incomuns e a procura por atendimento médico em caso de necessidade.
Ainda não há previsão para a retomada da vacinação. A continuidade do programa dependerá da conclusão das investigações científicas e da avaliação final das autoridades responsáveis pela segurança sanitária no país.